Há duas semanas, o Folhateen publicou uma matéria de capa do jornalista-celebridade-pop-star Lúcio Ribeiro sobre o “sucesso” do Cansei de Ser Sexy no exterior (comentada por mim, aqui). Até aí, nada de novo. Era apenas mais uma das milhares de matérias sobre a bandinha paulistana publicadas pela Folha. Uma semana depois, novamente no Folhateen, o jornalista Álvaro Pereira Júnior, em sua coluna Escuta Aqui, fez uma análise perfeita da cobertura (baba-ovo) da imprensa musical brasileira sobre o CSS (comentado por mim também, aqui). Criticou principalmente a Folha, pela forma insistente com que puxa o saco da banda. Hoje, outra vez no Folhateen, a repercussão dos dois textos foi coroada por uma resposta do baterista do CSS, Adriano Cintra. Como um bebê chorão, Cintra se mostra indignado com o texto de Álvaro. Por ser baterista de uma banda “independente”, que toca em clubes pequenos na Europa (Finlândia e Grécia, como ele mesmo cita no texto, dois grandes centros musicais), Cintra poderia ter sido um pouco mais humilde em sua resposta. Fez questão de se assumir “queridinho” da imprensa, e ficou irritado quando alguém mostrou que não era pra tanto. Afirma ter negado convites para abrir shows do Coldplay e do Muse. UAU!
Cintra só não percebeu (talvez por ter lido a coluna com os olhos cheios de lágrimas…) que o texto do Álvaro na semana passada não era uma crítica direta ao CSS, mas sim à forma como a imprensa “nana” a banda. O tratamento que a Folha dá ao CSS é de mega-banda, que já vendeu milhões e faz shows lotados em estádios pelo mundo. E o CSS não é nem um rabisco disso. No seu texto, hoje, Cintra rebateu com beicinho e argumentos vazios que só serviram para reforçar a idéia do Álvaro na semana passada. O CSS é lambido pela imprensa, e adora isso. E ai de quem disser o contrário!
Pra quem não tem acesso à Folha, o texto do figura tá aí em baixo, e a reportagem o Lúcio Ribeiro e a coluna do Álavaro Pereira Júnior tão aqui. Vale a pena dar uma espiada também na sessão de cartas da Folhateen. We’re not alone!!!!!!!
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Réplica
“Coluna do Álvaro foi tendenciosa e egocêntrica”
Baterista do Cansei de Ser Sexy responde às críticas
ADRIANO CINTRA
ESPECIAL PARA A FOLHA
O senhor Álvaro Pereira Júnior parece estar muito incomodado de não ser dele a cobertura de nosso sucesso no exterior. Em vez de reclamar sobre a suposta superlativa cobertura de nossos feitos no exterior pela Folha daqui do Brasil, por que ele não pega um avião e vai checar isso de perto? Estaria ele esperando o convite da nossa gravadora, com passagem de primeira classe e hotel cinco estrelas? Seu texto é tendencioso.
Diz que “algumas críticas publicadas, especialmente nos EUA, foram bem negativas…”.
Sim, algumas foram negativas, mas o triplo foi positivo.
Insinua que ninguém lembra da nossa música, destacando que as tais publicações que ele nem se deu ao trabalho de nomear diziam que nosso som era “derivativo de Le Tigre e Tom Tom Club, para ficar só em dois exemplos”. Pelo que eu saiba quem falou que nosso som era cópia de Le Tigre (e Peaches) foi ele mesmo.
Nosso disco figurou em várias listas de melhores do ano de 2006. Ficou entre os 20 primeiros na “Uncut”, revista que não costuma levar em conta hypes e outras coisas feias parecidas. Isso, por acaso, foi notícia para ele? Não. É claro que ele prefere omitir esse tipo de informação para convencer os leitores do Folhateen que ninguém liga pra nossa música e fazer pouco caso de nossos shows nos EUA.
Sim, temos mais sucesso na Europa, que engloba 47 países, na maioria dos quais já tocamos e temos muitos fãs, da Finlândia à Grécia. Nos Estados Unidos, é raro estarmos na rua e vir alguém pedir autógrafo. Mas lá, temos muitos fãs, que escrevem alguns dos blogs de música mais importantes do mundo, como o Music for Robots (de Nova York, music.for-robots.com) e o Pitchfork (de Chicago, www.pitchforkmedia.com).
Agora, no segundo semestre, vamos tocar nos mais importantes festivais, como o Coachella e o Lollapallooza, para logo depois fazermos nossa terceira turnê pelo país.
Uma coisa que ele precisa entender é que nós não somos e nem queremos ser o U2. Ou o Coldplay, que nos convidou para abrir o show aqui do Brasil e nós negamos. Acabamos de negar um convite do Muse para abrirmos no Wembley Stadium. Nós só nos envolvemos com coisas que realmente acreditamos.
Temos trabalhado como loucos nos últimos nove meses, fizemos mais shows do que qualquer banda nacional, estamos muito felizes e seguros que estamos fazendo a coisa certa, dando um passo de cada vez, e é muito frustrante uma pessoa tentar nos difamar desse jeito sem estar acompanhando de perto o que está acontecendo.
Quando eu li essa coluna, me senti como no dia em que fui tirar a carteira da Ordem dos Músicos do Brasil e a Dona Eulália (a encarregada de decidir se você era músico ou não, um autêntico bastião dos tempos da ditadura) me humilhou e só acabou me dando a maldita carteirinha de músico depois de um bate-boca infernal de 15 minutos. Nesse dia, achei que ia acabar sendo preso por não saber tocar uma rumba na bateria…
(Essa sensação de déjà vu foi mais forte quando ele sugeriu que, para termos o direito de figurar com dignidade nas páginas da Folha, nós precisaríamos ganhar um Grammy. GRAMMY, TIO? Por favor…).
Outra coisa que mostra o quão distante é o mundo dele do nosso: o tal “mercado que interessa”. Se, para ele, nosso sucesso não é legítimo porque não conquistamos o mercado americano, bem, então tá. Depois nos chamam de colonizados por cantarmos em inglês…
Podemos não vender tanto nos EUA quanto na Europa, mas a Sub Pop está muito contente conosco.
Esse tipo de jornalismo egocêntrico e negativo combina muito mais com um blog do que com um jornal. Eu não entendi de onde veio essa bronca toda com a Folha por ela estar cobrindo nosso trabalho de forma tão profissional. São tantas bandas internacionais mencionadas sempre na Folha, algumas delas bem menores que o CSS…
Adriano Cintra, 32, é produtor, baterista e irmão mais velho do CSS.



5 Comentários
Terça-feira, 13 Março, 2007 às 5:37 pm
Adriano é como é cerveja que leva seu sobrenome: não é preciso conhecer pessoalmente para saber que não é coisa boa. O título do texto resume tudo. O sujeito fica fazendo beicinho quando o que deveria mesmo era apresentar argumentos que replicassem o texto do Álvaro, que de tão bom e bem amarrado, nem o seu autor – espertamente, diga-se de passagem – se atreveu a responder. Tem horas que é melhor mesmo ficar quieto. Essa reação do baterista só vem comprovar aquilo tudo que qualquer ser humano com um mínimo de criticidade já sabia: falta maturidade de todos os lados para o CSS. Se amparam graças a dois ou três jornalistas que falam para meia dúzia lerem. O CSS é o típico caso do “ninguém conhece. Quem conhece, não gosta. E quem gosta, tem vergonha de espalhar”. Cintra deveria, sim, agradecer ao Álvaro por colocá-los em evidência de uma forma que não a corriqueira babação de ovo.
Terça-feira, 13 Março, 2007 às 5:38 pm
Ah, e parabéns pelo comentário selecionado na seção de cartas!
Quarta-feira, 14 Março, 2007 às 11:19 am
Ai ai… Olha, serião, eu desisti de criticar os meios de comunicação brasileiros pelo excesso de publicação sobre esse lixo musical depois que eu vi a última Rolling Stone….
Quarta-feira, 14 Março, 2007 às 11:21 am
Ai ai… Como minha mãe diz: “tem gente que perde a oportunidade de ficar quieto”.
Sexta-Feira, 16 Março, 2007 às 2:32 pm
putz
então ele se acha a ultima coca-cola do deserto né?
cada hora um babaca diferente é o queridinho da imprensa…
pra falar besteira, ás vezes era melhor não ter dito nada