Após fim do Audioslave, Chris Cornell volta à ativa com Carry On
Chris Cornell, ao olhar em seu retrovisor, não deve sentir muitas saudades. No começo da década de 1990 era o líder de um dos pilares do grunge, o Soundgarden. No começo dessa década, juntou-se aos ex-ex-Rage Against The Machine, e lançou três discos pelo elogiado Audioslave. Agora, Cornell solta seu segundo álbum solo, Carry On, diferente do que ele já fez pela suas duas bandas. Algo mais parecido com… Chis Cornell.
Antes mesmo do fim do Audioslave já se especulava sobre um trabalho solitário do vocalista. Com os tais “choques de personalidades” e as “diferenças musicais irreconciliáveis”, a banda virou história. Os outros três integrantes – o guitarrista Tom Morello, o baixista Tim Commerford e o baterista Brad Will – voltaram a se encontrar com Zach De La Rocha, e agora tentam ressuscitar o Rage Against The Machine. Foi a brecha que Cornell encontrou para fazer sua música novamente.
Apesar de seguir por um caminho novo, o músico não nega suas raízes. “No Such Thing”, que abre o disco, é a mais nostálgica. Dá até pra ver a molecada de cabelo desgrenhado e camisa de flanela se jogando umas sobre as outras. Em “Poison Eye”, Cornell flerta com o psicodélico com teclados a lá The Doors. Mas a música que surpreende mesmo só aparece na metade do disco. Guitarra em punho, e uma versão down bluseira do clássico “Billie Jean”, de Michael Jackson. É estranho na primeira audição. Impossível não lembrar do ex-negro com seus passinhos para trás, para frente e para os lados. Mas, ouvindo novamente, ela se torna uma das melhores do disco.
Aos 42 anos e com três filhos, Chris Cornell também tem seu momento tiozinho. E ele mostra isso na bela “Finally Forever”, em que canta clichês bon-jovianos, prometendo que “não há colina que eu não escale por você/ nenhum momento em minha vida em que você não esteja em minha cabeça”. Antes do CD acabar, ainda dá pra ouvir “You Know My Name”, música que foi tema do último filme de James Bond, “Casino Royale”. Um rock de verdade, que coloca Cornell no seleto hall dos músicos que cantaram para o agente com permissão para matar, ao lado de nomes como o de Sir Paul McCartney.
O segundo disco solo da carreira não é o melhor material que Chris Cornell já lançou. Ele se mostrava mais inspirado na época do Superunknown, do Soudgarden, ou com o primeiro álbum do Audioslave. Mas não se pode negar jamais a sua importância para o rock americano nas duas últimas décadas. Em Seattle, ao lado do Nirvana, do Pearl Jam e do Alice In Chains, foi definitivo para o nascimento do último grande movimento do rock.
Antes que o grunge explodisse, liderou o projeto-paralelo mais impressionante da história, o Temple Of The Dog, ao lado daqueles que formariam o Pearl Jam um ano depois, para homenagear Andrew Wood, companheiro de quarto e vocalista do Mother Love Bone, morto por uma overdose de heroína. Em 2002, inventou o Audioslave, com um ótimo disco de estréia, e que depois fez história ao ser a primeira banda americana a tocar em Cuba, indo de encontro ao embargo que a Terra da Liberdade impõe à Ilha de Fidel.
Apesar de ser um bom disco, Carry On não tem cacife para se tornar um hit. Ele provavelmente não vai arrebanhar uma nova legião de fãs. Mas é interessante o suficiente para satisfazer aqueles que já gostavam do trabalho de Chris Cornell. O que não é pouca coisa.

Cornell: novo solo mediano, mas que satisfaz os seguidores
Publicado no Jornal TodoDia, em 22/06/2007



7 Comentários
Sexta-Feira, 22 Junho, 2007 às 12:03 pm
Ok. eu vi aqui antes doq no TodoDia! hahaha…
Bom, vc sabe que crítica musical não é minha praia e que 90% doq vc diz aí nesse texto não faz a mínima diferença pra mim…haha…
Mas o texto tah ficando cada vez melhor! E disso eu entendo!
Bjinhus
Sexta-Feira, 22 Junho, 2007 às 12:30 pm
That’s my girl…
Sexta-Feira, 22 Junho, 2007 às 5:09 pm
Olha, fiquei realmente curioso para ouvir a “versão down bluseira” de “Billie Jean”…
Sexta-Feira, 22 Junho, 2007 às 9:07 pm
Eu também. E, realmente, You Know my name é bem legal, mas para se posicionar ao lado do Paul… sei não…
Sexta-Feira, 22 Junho, 2007 às 9:08 pm
E vê se faz logo o cabeçalho, cara…mba!
Sábado, 23 Junho, 2007 às 11:59 pm
Leoo…Eu nunca entendo as coisas q vc coloca aqui…mas vou comentar…e ae? Beleza? Veio…eu sou um merda quando o assunto é música…mas de qq forma parabéns, pq hj ´seu aniversário…acho q estou bebado…
Nunca comentei aqui npé…mas música é legal…o escravo do audio deve ser legal tb…melhor eu parar por aqui
Falows
Abraço
Segunda-feira, 25 Junho, 2007 às 2:44 pm
Esses romanos são uns loucos!