Esse texto foi escrito no começo do ano passado, para uma das minhas disciplinas da faculdade. Eis que minha professora decide lê-lo, para toda a classe, na manhã de uma sexta-feira. Um dia depois do fatídico 04 de maio de 2006. Foi quando tudo começou a desmoronar…
Corinthiano, maloqueiro e sofredor…Graças a Deus
É diferente. Tudo bem, eu sei que dizer isso já virou chavão, mas quando se fala sobre a Fiel dificilmente você encontrará uma outra forma de descrever essa torcida. Até por que ela não torce. Ela ama. Ama ao Sport Club Corinthians Paulista como à própria vida. É como uma religião, onde o templo é o estádio, e das arquibancadas ela canta, como uma oração. Canta adorando a um Deus, todo ele alvinegro.
Preto e branco, sem distinção nenhuma. Todo mundo pode, e todo mundo torce. Do maior dos nobres, ao mais simples plebeu. A Fiel acolhe a todos. Uma torcida que acredita que tudo é possível. Que em 1976, levou mais de 72 mil pessoas pelos 500 km da Via Dutra que separam São Paulo e Rio Janeiro, para um culto no maior estádio do mundo.
Vencemos. E 24 anos depois voltamos ao mesmo lugar, mas dessa vez para conquistarmos um título que sempre foi nosso, e definitivamente, nos tornarmos os maiores do mundo. Uma torcida que aumentava mesmo quando não ganhávamos títulos. Durantes os 23 anos de jejum, a Fiel mais do que dobrou. A recompensa veio no dia 13 de outubro de 1977, com mais de 100 mil pessoas no Morumbi. Com um gol que demorou uma eternidade de pouco mais de quinze segundos para acontecer.
Diz o ditado que no Corinthians, não é o clube que tem uma torcida. É a torcida que tem um clube. E se alguém duvida disso, convido para assistir a qualquer jogo na arquibancada do Pacaembu. Lá o amor ao clube se alastra como um vírus mortal, e os sintomas são percebidos na hora. Quando sobe o bandeirão, com os dizeres “a corrente jamais será quebrada” é impossível não sentir um arrepio.
E para esse ano, a Fiel pode ficar tranqüila. Um dos maiores times de todos os tempos está sendo formado, para que cenas como a de 76 e 2000 no Maracanã se tornem cada vez mais freqüentes. E para isso, a torcida já elegeu o novo papa que veste o manto sagrado da religião Corinthiana. E por incrível que pareça ele é argentino. Mas pelo jeito só biologicamente. Até por que a impressão que dá é que Carlitos Tevez foi criado no terrão do Parque São Jorge. Parece que nasceu corinthiano. Poucas vezes a Fiel precisou de tão pouco tempo para venerar um novo ídolo. E isso pode ser percebido nas arquibancadas. Quando Carlitos joga, a média de público é de mais de 30 mil pessoas. Quando fica de fora, esse número cai quase pela metade.
A Fiel é assim, no extremo. Grita e ama. Mas também cobra. Sabe quando as coisas não estão certas. E é assim que se tornou impossível falar de Corinthians, sem falar da torcida. Um brinde aos operários que começaram com essa paixão, lá em 1910. E uma oração ao santo guerreiro, São Jorge, pra que nos proteja e nos ilumine. Por que, mais do que tudo, eu sou corinthiano, maloqueiro e sofredor…Graças a Deus!

Carlitos comemora um dos sete gols da goleada sobre o Santos
no Brasileiro de 2005
E, hoje, precisamos nos acostumar com Moradeis, Edsons, Rosineis… Como canta o mestre Dylan, “…You better start swimmin’, or you’ll sink like a stone. For the times they are a-changin’…”



4 Comentários
Quinta-feira, 30 Agosto, 2007 às 12:16 am
Olha, eu sou corinthiana, mas hoje foi feito demaaais, hein?!
Quinta-feira, 30 Agosto, 2007 às 9:28 am
É. Eu tb sou corinthiana. Mas o tal do “um dos maiores times de todos os tempos” não sortiu muito efeito neh…Perder de 5X2 pro Atlético-MG é foda…
Sexta-Feira, 31 Agosto, 2007 às 8:24 am
Eu não sou corinthiano!
Sexta-Feira, 31 Agosto, 2007 às 6:35 pm
Eu também não sou corintiano…
PS: Como eu queria finalizar esse comentário ali em cima, mas falo demais, vc sabe. Cara, na noite da goleada histórica eu cobria futebol… mas estava cobrindo o Clássico São Paulo X Plameiras e não tive muito trabalho: só mandei um gol. Meu colega de cobertura ficou doido, disse que era melhor programar pra mandar um gol de cabeça a cada 5 minutos.
Mas eu lembro exatamente do dia em que esse texto foi lido. Bonito, até. Mas eu quero dizer ainda mais:
VÉI, FAZ UM LOGO LEGAL ASSIM PRA MIM!!
abrasss