Quarta-feira, 17 Outubro, 2007...7:55 pm

Caveira, meu capitão

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Tropa de Elite é o melhor filme deste ano. Desde que ele estreou, na banca dos camelôs, já disseram de tudo. O filme é fascista. O filme não é fascista. O Capitão Nascimento é herói. O Capitão Nascimento é bandido. A culpa é da classe média. A culpa não é da classe média.

A verdade é que esqueceram de analisar o filme sobre o que ele é: um filme de ficção. Entretenimento. A cara de documentário é proposital, e a discussão sobre a violência já existe desde que Cabral avistou terra firme. Tropa de Elite não foi feito para abrir os olhos da população. Ele foi feito para lucrar, como todo filme. Já levou quase 1 milhão de pessoas aos cinemas, e o diretor José Padilha deve estar rindo à toa enquanto comemora com um cubano e champagne a boa grana que entrou no seu bolso.

E, como filme de ficção, é preciso dizer que eles conseguiram criar um dos personagens mais impressionantes da história do cinema nacional. Capitão Nascimento é o anti-herói. Aquele que acredita que os fins compensam os meios. Que escreve certo por linhas tortas. Faz o trabalho sujo, e mostra as mãos imundas rindo.

Capitão Nascimento faz aquilo que cada um de nós já teve vontade de fazer. “Senta o dedo nessa porra”, eu teria dito naquela mesma situação. O Capitão é o Justiceiro. Mas como faz parte de um filme brasileiro, ele foi transformado em fascista pelos intelectuais. Os mesmos que também acharam que o Luciano Huck saiu no lucro só por que não morreu, quando um bandido roubou seu relógio “que dava pra comprar várias casas na quebrada”. Fosse o Capitão personagem de um Tarantino, e logo seria transformado em cult, com a tal “estilização da violência”. Sorte que poucos deram ouvidos a essas pessoas.

O maior problema do cinema nacional é que, na maioria das vezes, os bandidos são tratados como mocinhos. E Tropa de Elite foi de encontro a essa romantização do crime. Ele separa e mostra que são os heróis e os bandidos.

Mas é preciso lembrar sempre que se trata de uma ficção. O Capitão Nascimento, infelizmente, não existe. Nem todos os “convencionais” são corruptos. O Baiano não levou aquele pipoco no meio do nariz. E o playboy que tomou um pau do Matias não vendeu seus baseados na faculdade. Mas desse tipo de coisa tá cheio por aí, e todo mundo sabe.

Capitão Nascimento - Tropa de Elite

Ou se corrompe, ou se omite, ou vai pra guerra

6 Comentários

  • Amor, vc escreveu td que eu tava ensaiando escrever há tempos. Inclusive sobre o caso Rolex/ Luciano Huck.

    Tah loko.

    Bjinhus

  • É… realmente é uma ficção. Porém, o diretor e o ex-policial e escritor do livro “Elite da Tropa” foram intimados pela policia para prestar contas sobre o conteúdo do filme. Vai entender.

  • É fácil entender. A polícia se leva muito a sério, assim como quem viu o filme e apontou o dedo dizendo “fascista, fascista”. Quem se mostrou mais inteligente até agora, ao falar do filme, foi Leon Cakoff (não por acaso). No Roda Viva, ele falou que o filme traz a urgente necessidade de descriminalizar as drogas, oras. Mas que demora para uma conclusão tão visível, e ninguém antes o fez… Ou ninguém sabia que a puliça mata?

  • todas as colocações são pertinentes, o heroísmo do capitão nascimento se deve pela necessidade da população em se proteger (dela mesma). mas ninguém tira do cara, ficção ou não, QUE O CARA É MUITO BOM!!!!!
    e concordo plenamente com a conclusão!!!!! ou legaliza, ou a gente vai ter que começar a plantar…

  • Plantar ninguém vai, vai continuar comprando, legal ou não. Então legaliza logo essa porra. E combate direito o tráfico, também.

    Quanto ao Luciano Huck, ele tem todo o direito de se indignar, mas o tom do artigo é muito pedante. O assalto de um rico vira artigo na pagina 3 da Folha, quando acontece todo dia com todo mundo e nem por isso estão escrevendo artigos indignados no maior jornal do Brasil, porque “pagam seus impostos” e isso tudo é um “absurdo”. A discusssão é muito maior. Ok, ele tem todo direito, mas que é muito pedante, isso é. Que usasse a situação como pano de fundo, não como tema.


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