Quarta-feira, 31 Outubro, 2007...8:34 am

Apenas rock’n’roll

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Cheio de falhas de produção e organização, TIM Festival encerra sua edição de 2007 com o que interessa: muito barulho

“Eu gostaria de tocar mais para vocês, mas não podemos”. Foi dessa forma, em um inglês carregado com o sotaque britânico e quase indecifrável, que Alex Turner, vocalista do Arctic Monkeys, introduziu “A Certain Romance”, música derradeira do show dos ingleses na parte paulistana do TIM Festival, na madrugada de ontem.

Quase encabulado, como se ainda não estivesse completamente confortável em tocar para uma platéia de 20 mil pessoas, a maioria de fãs mais velhos que ele mesmo, Alex, de 21 anos, mal conversou com o público. Com todos os atrasos e problemas técnicos que marcaram o festival neste ano, o Arctic Monkeys não tinha tempo a perder.

Pouca gente assistiu ao show da banda de hip-hop Spank Rock, que abriu o festival por volta das 19h do domingo. Outra banda inglesa, o Hot Chip tocou em seguida, e passou pelo primeiro constrangimento da noite. O som sofreu uma pane em meio a uma das músicas. Foram 15 minutos até os equipamentos serem trocados. A banda voltou e chegou a empolgar com seu hit “Over and Over”, de claras influências do New Order, a fonte de onde eles bebem.

Mais gente chegava ao Anhembi. Garotas – e garotos – de maquiagem pesada, na expectativa pelo show da islandesa Bjork, que deveria começar às 20h30. Deveria. A montagem do palco da cantora levou quase uma hora e meia, e Bjork só deu as caras às 22h. Muito bem produzido e com efeitos interessantes, a apresentação da islandesa teria sido perfeita, não fosse a música, carregada de estranhezas e ruídos desnecessários.

Guitarras eram objeto de decoração até então no TIM Festival. Outra hora se passou depois do show da desengonçada Bjork para a desmontagem do seu palco. O público, paciente e de comportamento exemplar, procurava o melhor lugar para assistir a metade que interessava do festival.

Já era madrugada de segunda-feira quando Juliette Lewis apareceu com uma roupa vermelha, de vinil, e com seu penacho na cabeça. “Hot Kiss” foi a primeira música que fez o público cantar no Anhembi, mesmo com o volume baixo. Infernal, a atriz/cantora se jogava no palco, se contorcia e arriscava até algumas poses mais ousadas.

Com uma bandeira do Brasil na mão, ela contou que formou a banda há quatro anos. “Eu fui feita para o rock and roll”, disse, antes de cantar “Get Up”, com o ocasional refrão “…então você arrumou uma banda de rock para você mesma”. Os 50 minutos do rock rápido dos Licks cumpriram com maestria o papel de aquecimento para o show do Arctic Monkeys.

Sem a parafernalha de Bjork, a troca de palco, desta vez, foi rápida. Com simplicidade, um fundo prateado e pequenas luzes na parte de trás, o habitat dos ingleses foi montado. O público, cansado com os atrasos e falhas técnicas, se animou quando Alex apareceu com seu cabelo que lembra um capacete, para “Sandtrap”. A guitarra na altura do peito soltou os primeiros acordes de “This House Is A Circus”, música do segundo disco da banda, Favourite Worst Nightmare, base para o show de ontem. Como não poderia deixar de ser, nova falha. O telão só funcionou depois de 15 minutos de show, uma eternidade para quem tinha menos de 1,70 metros.

A bateria alucinada foi a deixa para a molecada de camisa polo listrada e gola levantada cantar “Brianstorm”. Só depois da quarta canção Alex arriscou um “obrigado”. “I Bet You Look Good On The Dancefloor”, com o refrão mais insistente do rock dos últimos anos, “Dancing Shoes”, “Balaclava”, “Flourescent Adolescent” e outros hits antecederam a frase com a resposta mais fácil da noite. “Eu gostaria de tocar mais para vocês, mas não podemos”. Nós também, Alex.

Pouco antes das 3h o Arctic Monkeys deixou o palco do TIM Festival, sem dar nem mesmo adeus. Os instrumentos foram colocados no chão, uma ou duas baquetas voaram e os ingleses se foram. A simpatia não é o forte dos garotos. “E daí?”, repetia uma menina na platéia.

Satisfeitos, alguns começaram a deixar o recinto. Tinha o último show da noite, com os americanos do The Killers, que só subiram ao palco às 4h, com três horas de atraso, mas ainda seguraram muita gente no Anhembi. Brandon Flowers e seu bigodinho ralo (disseminado entre os presentes do público), emprestando jargão esportivo, cumpriu tabela.

Tocaram os sucessos dos seus dois discos, Hot Fuss e Sam‘s Town, como “Somebody Told Me” e “When You Were Young” e fecharam o TIM Festival deste ano, em São Paulo, às 5h. Agora, só no ano que vem. Provavelmente com grandes shows, e algumas falhas.

Arctic Monkeys

Os Arctic Monkeys em ação: show mais empolgado do TIM Festival

Publicado no Jornal TodoDia, em 30/10/2007

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