O que você vai ouvir este ano? Até agora, poucos deram a impressão de que 2008 será o ano de suas vidas. Aqueles que deixaram de tocar em bares escuros e fedorentos da vizinhança para se apresentar em belas casas de shows e estádios lotados ao redor do mundo.
O Paramore talvez não chegue a tanto, mas pode fazer certo barulho. A banda foi formada há três anos na cidade de Franklin, no estado americano do Tenessee, mais famoso por uma marca de uísque do que pelo rock n’roll. Liderada pela jovem Hayley Williams, de apenas 20 anos, o grupo faz um som adolescente, parecido com o pós-punk que transformou Avril Lavigne em estrela. Sabe aquela música que você ouve na rádio FM e fica o dia inteiro com ela na cabeça? Pois é. O segundo disco da banda, “Riot!”, lançado ano passado, foi bem nos Estados Unidos com os singles “Misery Business”, “Hallelujah” e “Crushcrushcrush”, e logo deve chegar por aqui.
Do Canadá vem a segunda aposta. É a cantora Feist, que teve seu terceiro disco, “The Reminder”, aclamado como um dos melhores de 2007 nos Estados Unidos e na Europa. Ela, porém, ganhou uma forcinha extra do midas Steve Jobs, fundador da Apple. Seu single “1234” foi a trilha sonora de um dos comerciais do iPod. É claro, que, em seguida, a música saltou várias posições entre as mais vendidas na loja virtual iTunes e alavancou a simpática cantora ao posto de promessa deste ano.
Com melodias fáceis e letras com rimas até infantis, Feist ganha o público com simplicidade e voz calma. Apesar dos 31 anos, tem longo currículo musical, com colaborações com o duo norueguês Kings of Convenience e participação na banda Broken Social Scene. Ainda assim, Feist concorre ao prêmio de artista revelação no Grammy deste ano, ao lado de Paramore, Amy Winehouse, Ledisi e Taylor Swift.
Em terras tupiniquins, a mediocridade do rock deve continuar com os velhos conhecidos Pitty, Charlie Brown Jr., Nx Zero e CPM 22. Mas há esperança. Os gaúchos do Cachorro Grande, apesar de serem da mesma turminha da MTV, continuam tocando rock de verdade, transpirando The Who, Beatles e Rolling Stones. Só falta mais atenção da mídia para que eles sejam, finalmente, reconhecidos como a melhor banda nacional, o que pode acontecer este ano. Afinal, ninguém mais agüenta Dinho Ouro Preto e seu Capital Inicial, só para exemplificar.
Outro nome que pode dar novo ânimo ao rock brazuca é Moptop. A banda carioca, formada em 2003, lançou seu primeiro disco em 2006, ano em que também abriu o show do Oasis no Brasil. Estão em estúdio agora para a gravação do segundo álbum, que deve sair em breve pela Universal. O som, de guitarras rápidas e bateria seca, lembra muito Strokes. Mas Strokes é legal, não é?
Publicado no Jornal TodoDia, em 04/01/2007


