Drinking for two
O sábado amanheceu frio, apesar de estarmos no começo de dezembro. Já é quase hora do almoço. Meu ouvido ainda está zumbindo, e meu corpo doe mais do que ontem. Mas nada disso importa. Hoje tem outra vez.
A macarronada feita pela minha avó estava fantástica. Deu pra forrar bem o estômago. Sem carona, precisamos sair um pouco mais cedo. Até a estação São Judas do metrô, a mais próxima da casa de minha avó, são cerca de 30 minutos de caminhada. Por todo o caminho, eu e o Melão vamos conversando sobre o show da noite passada e tentando adivinhar quais músicas eles tocarão logo mais a noite. Eu aposto em “Present Tense”, o Melão em “Oceans”.
A viagem sob a terra é rápida e em 20 minutos descemos na estação Clínicas, perto do Pacaembú. Descemos a ladeira do Cemitério do Araçá e já estamos no portão 08 do estádio. Hoje, assistiremos ao show das cadeiras à direita do palco. Pouco mais longe, mas muito mais tranqüilo que a pista. Tomamos nosso lugar na fila e, novamente, dezenas de vendedores passam com todo tipo de produto falsificado da banda. Um deles tem alguns adesivos muito bem feitos, com o símbolo da turnê: um filhote de pássaro com o bico aberto, como se esperando por comida. Compramos dois por R$ 3.
O vento que sopra na região do Pacaembú derruba a temperatura, mas não nos impede de finalmente tomar uma cerveja e brindar o fim da longa espera. O portão é aberto por volta das 17h30, exatamente como ontem. Corremos e conseguimos um ótimo lugar para assistir a apresentação de hoje. Desistimos das cadeiras e nos penduramos na grade de uma das escadas que leva à pista. É o mais perto possível que podemos ficar do palco, e com a vantagem que à nossa frente não teremos ninguém. Logo, outras pessoas juntam-se a nós na grade, que, apesar de tudo, não é nem um pouco confortável.
Comentários sobre o show da sexta-feira predominam nas rodas de conversas. Uma das garotas ao nosso lado, uma morena com traços orientais, conta que está seguindo todos os passos da banda pelo Brasil. Assistiu aos concertos em Porto Alegre e Curitiba. Esteve na pista ontem, e amanhã bem cedo corre para o Rio de Janeiro, para assistir a última apresentação do Pearl Jam no Brasil – show que também esteve em meus planos, por ter um primo que mora na cidade maravilhosa. Fui obrigado a desistir graças ao meu baixo orçamento.
Ali nas cadeiras o público tem um perfil diferente do que eu observei na pista, ontem. Muitos pais acompanham seus filhos, nem sempre tão novos. Em alguns casos, percebo que são os filhos que acompanham os pais. Muitos casais dividem espaço com as onipresentes camisas de flanela.
A garoa volta a marcar presença, diminuindo ainda mais a sensação térmica, que só subiu quando eu dei meus primeiros pulos com a guitarra de Steve Turner, do Mudhoney, que tocava – novamente – para abrir o último show do Pearl Jam em São Paulo. Poucas palavras trocadas com o público, e 40 minutos de rock ininterruptos. As cadeiras numeradas do Pacaembú, onde estou hoje, ficam cerca de 2 metros acima do gramado, onde fica a pista. É incrível a quantidade de pessoas que se espremem ali em baixo. O movimento daquela multidão é inacreditável. A expressão “mar de gente”, apesar de clichê, se encaixa perfeitamente para aquela cena, com as pessoas pulando de um lado para o outro seguindo o som da bateria e das guitarras do Mudhoney. Então Mark Arm, o vocalista, se despede com um “até logo”.
Contagem regressiva para o começo do fim. Se a pontualidade que marcou os shows nesses dois dias for mantida, faltam apenas 15 minutos. O Pearl Jam normalmente muda muito seu setlist entre os shows, e todos nós aqui sabemos disso. Ali na roda de estranhos que acabamos de conhecer, começam novas apostas para tentar adivinhar quais músicas seriam tocadas hoje. Mantenho o meu chute em “Present Tense”, não sei por quê.




2 Comentários
Quinta-feira, 24 Abril, 2008 às 8:22 pm
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Sábado, 26 Abril, 2008 às 12:48 pm
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