Quarta-feira, 30 Setembro, 2009...12:07 am

Hope you guess my name…

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Na tentativa de reativar esse blog, publico um texto escrito há algum tempo. Na verdade, é um piloto de uma coluna que eu teria no caderno Triboz, do Jornal TodoDia, que nunca saiu – ou entrou – no papel por pura preguiça. Não minha. Ela foi escrita ano passado, quando o Todo Poderoso ainda enfrentava seu maior calvário e o show do Radiohead no Brasil ainda era uma das maiores lendas urbanas do mundo. Desde então, graças a Deus, as coisas mudaram. Thom Yorke cantou e não viu o sofrimento de quem tentava deixar a Chácara do Jóquei e Ronaldo, o Fenômeno, agora desfila as suas arrobas com a gloriosa camisa alvinegra, aterrorizando zagueiros irrelevantes de times medianos. Esse talvez seja o primeiro texto da retomada. Para o bem, ou para o mal. Sei lá.

Você não me conhece. Por que você acreditaria em mim? O primeiro CD que comprei – ou melhor, ganhei – foi a trilha sonora de “Forrest Gump”. Eu adorava aquele filme e sempre comentava da cena em que a “moça tocava pelada”. Hoje eu sei que ela cantava Blowin’ In The Wind e que aquele era um ato válido de protesto contra uma guerra estúpida. Mas, na época, era só uma mulher pelada na televisão.

Quem já ouviu a trilha sonora desse filme sabe que eu comecei bem. Só que depois eu joguei tudo isso no lixo. Sabe-se lá porque, mas eu convenci meu pai a comprar um disco do Negritude Júnior. E eu sabia de cor o nome de todo mundo que foi convidado para a tal ‘festa na Cohab’. O Nenê, o Chamburcy, o Claudinho e a rempa toda.

Eu sonhava em participar da Porta dos Desesperados do programa do Sérgio Mallandro. Sempre quis ganhar um Dynavision. Desisti depois que fui presenteado com um Mega Drive 2, com seus fantásticos 16 bits e jogos como Sonic, Altered Beast e Art Alive. Mas eu confesso que sempre tive um pouco de inveja dos meus amigos que tinham o Super Nintendo.

Eu me borrei quando vi “O Exorcista” pela primeira vez. Aquela mina virando a cabeça, pelo amor de Deus. Falo palavrão pra caralho. Na verdade, considero os impropérios essenciais para uma comunicação eficaz.

Não gosto de Chico Buarque, mas respeito. Acho a Bossa Nova um pé no saco, e concordo com a definição do Lobão. Não sabe qual foi? Procura no Google. Acho que “Sobrevivendo no Inferno”, dos Racionais MCs, é um disco obrigatório em qualquer coleção. Mas perdi o que eu tinha.

Amo os Beatles com todas as minhas forças e ando pra cima e pra baixo com uma camiseta do Bob Dylan, pra tentar me recuperar de um passado tenebroso que inclui o já citado Negritude Júnior.

Tirei um ano sabático do futebol, mas se eu tivesse dinheiro pagava mil reais pra colocar minha cara na camisa do Timão. Se eu tivesse ainda mais dinheiro, colocava umas quatro fotos minhas na camisa. Se dinheiro não fosse problema, eu comprava logo o Palmeiras, só pra mandar todo mundo embora e acabar com aquele timinho de merda de uma vez.

Meu computador tem mais de seis mil músicas e eu não paguei um centavo por elas. Eu tenho um perfil no Orkut, me irrito com aquela porrada de propaganda e já tentei o Facebook. Não adiantou nada.

Pelas próximas sextas-feiras, eu vou ter esse espaço pra falar um pouco sobre cultura pop. Aliás, era o que eu devia ter feito hoje. Mas preferi mostrar o que ela fez comigo. É provável que você não concorde com grande parte do que eu escrever aqui. Por discordarem de algumas idéias, fui intimidado recentemente por fãs do NX Zero que ameaçaram cair em lágrimas por conta de resenha pouco favorável ao grupo do Di, Fi, Mi, Bi, sei lá. O meu cachorro não me obedece. Por que você acreditaria em mim?

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