Aquela não era sua noite mais feliz desde que chegou na cidade. Começar com Elliott Smith parecia fora de questão. Suas músicas são tão carregadas de melancolia que quase dá pra entender o que levou o cara a se matar com dois golpes de faca no peito, como se um não fosse o suficiente.
Na TV, nada que parecesse minimamente interessante. Ele, então, voltou novamente sua atenção para o iTunes sem, no entanto, se esforçar para que a sequência musical pudesse contribuir para deixar as últimas horas do dia menos sacais. Muito pelo contrário. O negócio, aparentemente, era se afundar em canções que o fizessem se lembrar cada vez mais dela.
Algumas por motivos óbvios, outras por razões que só ele entendia. Deixou rolar “Between The Bars”, do maluco suicida, uma ou outra do Radiohead. Até Bon Jovi tocou. Foda-se. Ele estava sozinho e ninguém precisava saber disso.


