Interlagos, 70

Hoje, dia 12 de maio, o Autódromo Internacional José Carlos Pace completa 70 anos. Mais do que desejar parabéns, tenho a obrigação de agradecer. Foi Interlagos que me transformou em jornalista quando este livro-reportagem aí foi elogiado e aprovado pela banca formada por três professores da PUC Campinas em 2006.

Foram pouco mais de três meses de pesquisa e correria. Confesso que nunca mais, desde a apresentação à banca, abri o livro. Não sei se ali estão escritas muitas besteiras. É bem provável. Mas sei que hoje eu teria feito diferente.

De qualquer forma, fica o registro da minha (e do Róger, grande companheiro de TCC) humilde colaboração para a memória daquele que não é apenas o mais importante palco do automobilismo nacional, mas a própria história do esporte no Brasil.

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Foi mais ou menos assim

Foi quando eu descobri que seria corintiano até o meu último suspiro.

O Corinthians enfrentava o São Paulo no segundo jogo da final do Campeonato Brasileiro de 1990. O gol histórico do eterno amuleto Tupãzinho nos transformou no maior do Brasil pela primeira vez. Eu não estava no Morumbi nesse dia. Tinha apenas cinco anos e não fazia muita ideia do que acontecia por lá. Mas via tudo pela TV.

Não, mas não foi dessa vez ainda. Quer dizer, eu já estava bem encaminhado, mas ainda não tinha sido dessa vez. O problema é que eu tenho poucas lembranças do dia em que isso aconteceu de verdade. Talvez por eu ser ainda muito novo. Ou não. Talvez porque o momento em si falou mais alto. Provavelmente.

Na iminência de me apaixonar pelo Corinthians acima de qualquer outra coisa, eu já me sentia um corintiano. Tinha minhas camisetas, sabia cantar algumas músicas. Faltava vez ou outra da escola pra poder ir ao Pacaembu com meu tio. Eu também dizia pra todo mundo quem era meu ídolo: Neto.

Em 90, Neto acabou com o campeonato. Seus gols de falta empurraram aquele time que era mais guerreiro do que técnico, como manda a nossa tradição, ao primeiro título nacional do Corinthians. Cada vez que marcava um gol em minhas brincadeiras, eu tentava imitar sua comemoração. Aquela em que ele saía correndo, escorregava com os joelhos e erguia um dos braços, com o outro pra trás. Acabei me ralando algumas vezes.

Até que um dia ele foi pra Americana. É aí que minha memória começa a falhar. Não lembro quando foi. Tenho a impressão que foi no período em que ele esteve suspenso por ter dado uma cusparada no José Aparecido de Oliveira, juiz que apitava um clássico contra o Palmeiras em 1991. Acho também que foi durante uma das “Festas das Nações”, que aconteciam anualmente na cidade. Mas sei que foi na Fidam, um pavilhão de eventos que ficava perto da minha casa.

Não tenho a menor ideia do que o Neto foi fazer lá. Mas eu devo ter enchido o saco do meu pai o suficiente pra ele concordar em me levar pra vê-lo. Coloquei minha camisa do Corinthians, a número dois, listrada como a da final de 1977, e fui.

Lembro que o Neto estava sentado atrás de uma mesa e que tinha uma fila. Na minha vez, uma mulher disse que, para conseguir um autógrafo dele, era preciso comprar alguma coisa, que nem imagino o que era. Só sei que ela cortou meu barato da forma mais cruel possível, principalmente se tratando de uma criança de cinco anos.

Acho até que ela foi bastante sem educação nesse momento. Meu pai não teria se recusado a comprar seja lá o que fosse, mas lembro dele ter ficado puto e me puxado pra ir embora dali. Caralho, naquela idade e eu já tinha conhecido aquela que seria a maior decepção da minha vida, não fosse o Corinthians ter empatado o maldito jogo contra o Grêmio em 2007.

É nesse ponto que a minha memória clareia. Eu já estava de costas para o Neto quando ouvi ele dizer algo como “para com isso, traz ele aqui”. Soltei da mão do meu pai e fui até ele. O Neto pegou uma caneta azul e assinou na gola da minha camisa, do lado esquerdo. Na camisa listrada não sobram muitos espaços para uma assinatura.

Eu acho nem agradeci. Devia estar empolgado demais pra lembrar de ser educado. Mas o Neto não pode imaginar o quanto eu sou grato a ele por isso.

A camisa eu ainda tenho guardada, obviamente. A assinatura continua lá, mas, para não se perder com o tempo nem com as lavagens, na época a minha vó bordou sobre ela. Continua clara e forte, ao contrário do número 10 às costas, que já começa a desaparecer.

Nada além disso. Não tenho uma foto qualquer que prove o que eu estou contando. Como se vê, até mesmo a minha memória jogou fora boa parte do que aconteceu no dia em que me encontrei pela primeira vez com um ídolo. O que, de certa forma, pouca diferença faz. Não preciso de nada além de uma camisa velha, com um nome rabiscado na gola, pra lembrar o que me fez ser o que eu sou hoje: corintiano.

José Ferreira, o Neto

José Ferreira, o Neto

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Aquela não era sua noite mais feliz desde que chegou na cidade. Começar com Elliott Smith parecia fora de questão. Suas músicas são tão carregadas de melancolia que quase dá pra entender o que levou o cara a se matar com dois golpes de faca no peito, como se um não fosse o suficiente.

Na TV, nada que parecesse minimamente interessante. Ele, então, voltou novamente sua atenção para o iTunes sem, no entanto, se esforçar para que a sequência musical pudesse contribuir para deixar as últimas horas do dia menos sacais. Muito pelo contrário. O negócio, aparentemente, era se afundar em canções que o fizessem se lembrar cada vez mais dela.

Algumas por motivos óbvios, outras por razões que só ele entendia. Deixou rolar “Between The Bars”, do maluco suicida, uma ou outra do Radiohead. Até Bon Jovi tocou. Foda-se. Ele estava sozinho e ninguém precisava saber disso.

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Hope you guess my name…

Na tentativa de reativar esse blog, publico um texto escrito há algum tempo. Na verdade, é um piloto de uma coluna que eu teria no caderno Triboz, do Jornal TodoDia, que nunca saiu – ou entrou – no papel por pura preguiça. Não minha. Ela foi escrita ano passado, quando o Todo Poderoso ainda enfrentava seu maior calvário e o show do Radiohead no Brasil ainda era uma das maiores lendas urbanas do mundo. Desde então, graças a Deus, as coisas mudaram. Thom Yorke cantou e não viu o sofrimento de quem tentava deixar a Chácara do Jóquei e Ronaldo, o Fenômeno, agora desfila as suas arrobas com a gloriosa camisa alvinegra, aterrorizando zagueiros irrelevantes de times medianos. Esse talvez seja o primeiro texto da retomada. Para o bem, ou para o mal. Sei lá.

Você não me conhece. Por que você acreditaria em mim? O primeiro CD que comprei – ou melhor, ganhei – foi a trilha sonora de “Forrest Gump”. Eu adorava aquele filme e sempre comentava da cena em que a “moça tocava pelada”. Hoje eu sei que ela cantava Blowin’ In The Wind e que aquele era um ato válido de protesto contra uma guerra estúpida. Mas, na época, era só uma mulher pelada na televisão.

Quem já ouviu a trilha sonora desse filme sabe que eu comecei bem. Só que depois eu joguei tudo isso no lixo. Sabe-se lá porque, mas eu convenci meu pai a comprar um disco do Negritude Júnior. E eu sabia de cor o nome de todo mundo que foi convidado para a tal ‘festa na Cohab’. O Nenê, o Chamburcy, o Claudinho e a rempa toda.

Eu sonhava em participar da Porta dos Desesperados do programa do Sérgio Mallandro. Sempre quis ganhar um Dynavision. Desisti depois que fui presenteado com um Mega Drive 2, com seus fantásticos 16 bits e jogos como Sonic, Altered Beast e Art Alive. Mas eu confesso que sempre tive um pouco de inveja dos meus amigos que tinham o Super Nintendo.

Eu me borrei quando vi “O Exorcista” pela primeira vez. Aquela mina virando a cabeça, pelo amor de Deus. Falo palavrão pra caralho. Na verdade, considero os impropérios essenciais para uma comunicação eficaz.

Não gosto de Chico Buarque, mas respeito. Acho a Bossa Nova um pé no saco, e concordo com a definição do Lobão. Não sabe qual foi? Procura no Google. Acho que “Sobrevivendo no Inferno”, dos Racionais MCs, é um disco obrigatório em qualquer coleção. Mas perdi o que eu tinha.

Amo os Beatles com todas as minhas forças e ando pra cima e pra baixo com uma camiseta do Bob Dylan, pra tentar me recuperar de um passado tenebroso que inclui o já citado Negritude Júnior.

Tirei um ano sabático do futebol, mas se eu tivesse dinheiro pagava mil reais pra colocar minha cara na camisa do Timão. Se eu tivesse ainda mais dinheiro, colocava umas quatro fotos minhas na camisa. Se dinheiro não fosse problema, eu comprava logo o Palmeiras, só pra mandar todo mundo embora e acabar com aquele timinho de merda de uma vez.

Meu computador tem mais de seis mil músicas e eu não paguei um centavo por elas. Eu tenho um perfil no Orkut, me irrito com aquela porrada de propaganda e já tentei o Facebook. Não adiantou nada.

Pelas próximas sextas-feiras, eu vou ter esse espaço pra falar um pouco sobre cultura pop. Aliás, era o que eu devia ter feito hoje. Mas preferi mostrar o que ela fez comigo. É provável que você não concorde com grande parte do que eu escrever aqui. Por discordarem de algumas idéias, fui intimidado recentemente por fãs do NX Zero que ameaçaram cair em lágrimas por conta de resenha pouco favorável ao grupo do Di, Fi, Mi, Bi, sei lá. O meu cachorro não me obedece. Por que você acreditaria em mim?

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INSUBSTITUÍVEL?

Quinze anos depois, lacuna deixada por Kurt Cobain ainda não tem substitutos à altura

Os versos escritos por Neil Young para a canção “My My, Hey Hey (Out Of The Blue)”, de 1979, fizeram ainda mais sentido em 8 de abril de 1994. Naquele dia, ao lado do corpo de Kurt Cobain, a polícia de Seattle, nos EUA, encontrou um bilhete que, entre outras coisas, dizia “it’s better to burn out than to fade away” (é melhor queimar de uma vez do que desaparecer aos poucos). Exames estipularam o dia 5 como provável data da morte do músico, causada por um tiro na boca dado pelo próprio Kurt. O maior ídolo do rock naquela época tinha se suicidado no auge da carreira.

Seattle é uma cidade fria e cinzenta do noroeste americano. No final da década de 80, bandas jovens que se apresentavam nos apertados clubes do local ganharam a proteção de uma pequena gravadora. A Sub Pop ficaria conhecida mais tarde como o berço do grunge, o último grande movimento do rock, responsável pelo nascimento de bandas como Mudhoney, Soundgarden, Pearl Jam e, principalmente, Nirvana.

“Bleach”, a estreia do grupo liderado por Kurt Cobain, foi lançado em 1988, mas a banda se tornaria protagonista da história da música de seu tempo apenas em 1991, quando “Nevermind” chegou às lojas embalado pelo riff simples, mas poderoso, de “Smells Like Teen Spirit”. “Eu fui pra lá no final de 1991, na semana de lançamento do ‘Nevermind’. Eu tinha marcado uma entrevista com eles do Brasil, antes de viajar, mas era algo simples, ninguém os conhecia. Mas, quando cheguei, o disco tinha explodido”, lembra o jornalista André Barcinski, autor do livro “Barulho – Uma Viagem Pelo Underground do Rock Americano”, que acompanhou a gênese do grunge in loco durante a produção de sua obra e, de quebra, viu o Nirvana tomar o trono de Michael Jackson, que até então ocupava a primeira posição entre os discos mais vendidos com “Dangerous”.

A partir daí, a popularidade da banda só cresceria, assim como os problemas pessoais de Kurt, acompanhados praticamente em tempo real por seus fãs pelas lentes das televisões e dos fotógrafos. “Ele fez de tudo para ficar famoso, mas não segurou a barra”, acredita Barcinski. O comportamento autodestrutivo do músico, que se entupia de heroína para “curar” uma dor de estômago crônica, e a polêmica relação com sua esposa, a vocalista do Hole Courtney Love, apontavam para o trágico final de sua história. “Havia uma expectativa de que ia acabar acontecendo. Ele dava demonstrações de que a coisa não ia terminar bem”, afirma o jornalista Marcelo Orozco, que escreveu “Kurt Cobain: Fragmentos de uma Autobiografia”.

Um mês antes de se matar, Kurt tinha sofrido uma overdose em um hotel em Roma, na Itália, que quase o levou a morte. De volta aos EUA, foi internado em uma clínica de reabilitação na Califórnia, de onde fugiu pouco depois e voltou para Seattle. Lá, comprou uma espingarda, trancou-se em uma sala em cima da garagem de sua casa, escreveu uma carta e, depois de se drogar, atirou na própria cabeça, aos 27 anos.

MITO

“Conheci gente que conviveu de perto com ele. O Kurt ficou mais paranóico, com problemas com droga e mania de perseguição”, conta Barcinski, sobre o período entre a explosão de “Nevermind” e a morte do vocalista, há 15 anos. “O sucesso mexeu com a cabeça dele, negativamente”, completa. “Com certeza, a morte dele o amplificou e o mitificou, sacramentou sua importância”, acredita Orozco. “Não deu tempo do Nirvana entrar em decadência”, afirma o jornalista. “Eles ainda estavam no auge, com todo mundo de olho, pelo sucesso, pelo impacto, por terem revigorado o rock, até comercialmente”.

Barcinski acredita que o Nirvana carregava todos os ingredientes que transformaram Kurt em uma lenda do rock após sua morte. “Era uma banda bem acima da média, com um vocalista carismático, que durou apenas cinco anos. Morrer velho e milionário não faz de ninguém um mito”, diz ele.

LACUNA

As mudanças pelas quais a música passa nos últimos anos fizeram surgir uma lacuna após a morte de Kurt que até agora não foi preenchida. “O Nirvana foi o último triunfo de uma banda pré-Internet. Eles conseguiram a centralização das coisas”, afirma Orozco.

Com a Internet, a música se espalhou. Em vez de um grande ídolo, que assuma o foco dos negócios, surgem muitas pequenas estrelas, com brilho bem menor do que o necessário para ocupar o espaço em aberto. “E as pessoas que poderiam assumir, como o Thom Yorke (vocalista do Radiohead), são muito avessas a isso”, analisa Barcinski. Para Orozco, o lugar deixado por Kurt permanecerá sem substituto. “É bem difícil que isso volte a acontecer, com grandes nomes que dominam uma época”.

It's better to burn out tha to fade away

It's better to burn out than to fade away

Teorias de conspiração

Desde o momento em que a morte de Kurt Cobain foi anunciada, as teorias sobre um possível assassinato começaram a surgir. O caso foi encerrado como sendo suicídio, cometido provavelmente dia 5 de abril, com margem de erro de até 24 horas, de acordo com legistas. Mas as discussões não terminaram com as conclusões da polícia americana. A viúva de Kurt, Courtney Love, continua como a principal suspeita de quem acredita que o músico não se matou.

Uma das vozes que fala mais alto sobre esse suposto complô que arquitetou a morte do vocalista do Nirvana é o detetive particular Tom Grant. Em 3 de abril de 1994 ele foi contratado por Courtney para procurar o marido, que havia fugido de uma clínica para recuperação de drogados dois dias antes. Após o corpo de Kurt ser encontrado na sala sobre a garagem de sua casa, dia 8 daquele mês, Grant continuou suas investigações particulares, apesar de a polícia dar o caso como encerrado.

Em seu site (www.cobaincase.com), Grant acusa nominalmente a viúva de Kurt e o amigo dela, Michael Dewitt, de terem tramado a morte do líder do Nirvana. Na página, apresenta indícios que comprovariam sua tese. Segundo Grant, Kurt desejava se divorciar de Courtney em suas últimas semanas de vida. Outra prova seria um cartão de crédito de Kurt que estava sumido e foi utilizado depois de sua morte, mas não mais depois que o corpo foi encontrado. Além disso, exames mostraram que a quantidade de heroína encontrada no sangue do músico era três vezes maior do que o necessário para uma overdose, o que o incapacitaria de erguer uma arma pesada e atirar na própria cabeça.

Como nada é por acaso, Grant vende, em seu site, relatório de suas investigações por US$ 49. É possível, porém, encontrar os documentos, com as supostas evidências e fotografias, em arquivos gratuitos na Internet. Outro site que defende a tese do envolvimento de Courtney em um possível assassinato é o www.justiceforkurt.com, que conta com uma detalhada linha do tempo e arquivos da polícia de Seattle e encabeça uma campanha para pressionar as autoridades americanas a reabrirem o caso.

Estante

Livros

Kurt Cobain: Fragmentos de uma Autobiografia
autor: Marcelo Orozco
Editora: Conrad
O autor analisa e comenta as músicas do Nirvana e as letras de Cobain, ligando-as à cronologia da vida do vocalista.

Mais Pesado Que o Céu – Uma Biografia de Kurt Cobain
Autor: Charles R. Cross
Editora: Globo
Considerada por muitos a principal publicação focada na vida de Kurt Cobain, com base em cerca de 400 entrevistas, será adaptada para o cinema.

DVDs

Últimos Dias
Diretor: Gus Van Sant
Distribuidora: Warner Home Vídeo
O cultuado diretor conta os últimos dias de Kurt Cobain em forma de romance nesta ficção protagonizada por Michael Pitt.

Nirvana: Unplugged in New York
Distribuidora: Universal Music
Gravado cinco meses antes da morte de Cobain, o show produzido pela MTV é um emocionante réquiem do vocalista.

Sites

www.nirvanaclub.com
Reúne grande quantidade de material sobre a banda, como cifras, artigos, vídeos, fotos.

www.livenirvana.com
Site com arquivo de set lists, locais e datas das apresentações da banda, além de detalhes de sessões de gravação e aparições na TV e no rádio.

Publicado no Jornal TodoDia, em 03/04/2009

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Sob a luz dos holofotes

John Mayer anda ganhando mais destaque na mídia ultimamente por seu fracassado romance com Jennifer Aniston, a Rachel de Friends e uma das queridinhas de Hollywood. Uma pena, pra ele. Não só porque ele perdeu uma das mulheres mais cobiçadas deste canto do universo, mas principalmente porque o John Mayer “Celebridade” acabou eclipsando o John Mayer “Músico”, justamente no momento em que chega às lojas o ótimo “Where The Light Is”, Cd e Dvd gravado ao vivo no Nokia Theatre, em Los Angeles, no final do ano passado.

O disco corre por uma linha pouco usual e que se mostra uma acertada escolha ao dividir a apresentação entre as três facetas do cantor que, a princípio, tem apenas um violão da mítica Martin & Co como companhia. A sessão acústica do show tem uma sequência de belas canções, entre elas “Daughters”, que termina no cover de “Free Fallin'”, de Tom Petty, com suporte dos guitarristas David Ryan Harris e Robbie Mcintosh. A versão escorrega ao deixar de lado o refrão a plenos pulmões que Tom Cruise imortalizou em uma das cenas de “Jerry Maguire”.

Mayer se despede do público e do clima intimista para voltar ao palco pouco depois junto com o baixista Pino Paladino e do baterista Steve Jordan para um set de seu John Mayer Trio. “Everyday I Have The Blues” deixa claro qual será a pegada da segunda parte do concerto, com notas precisas como da bela e longa “Out Of My Mind”, em que o cantor pede “Can I play my guitar?/ Can I play louder?” (Posso tocar minha guitarra?/ Posso tocar mais alto?).

O trio ainda se aventura por perigosas versões de canções de Jimi Hendrix. “Wait Until Tomorrow” esquenta o público sem decepcionar e “Bold As Love” é a deixa para um novo intervalo que, desta vez, termina com Mayer acompanhado de sua banda completa para a última das três partes da apresentação.
No mais longo dos sets, é a balada “Gravity” que chama a atenção, ao ser introduzida pelos primeiros versos de “I’ve Got Dreams To Remember”, de Ottis Redding.

“Where The Light Is” se mostra um bom disco, inclusive para quem pouco conhece da carreira de Mayer. Para os fãs, o dvd é um presente. As imagens captadas pelo diretor Danny Clinch, responsável também pelo gravação do acústico “Skin and Bones”, do Foo Fighters, mostram o músico extremamente confortável no palco, mas exalando nervosismo nos bastidores. Pequenos trechos de uma entrevista em que Mayer discorre sobre a carreira são colocados entre algumas músicas. Só não precisavam ser tão econômicos nos extras, que traz apenas uma apresentação com vários ângulos de “Who Did You Think I Was” e algumas imagens de Mayer tocando “Slow Dancing In A Burning Room” com a cidade de Los Angeles ao fundo.

Disco 1

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1. Neon
2. Stop This Train
3. In Your Atmosphere
4. Daughters
5. Free Fallin´
6. Everyday I Have The Blues
7. Wait Until Tomorrow
8. Who Did You Think I Was
9. Come When I Call
10. Good Love Is On The Way
11. Out Of My Mind
12. Vultures
13. Bold As Love

Disco 2

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1. Waiting On The World To Change
2. Slow Dancing In A Burning Room
3. Why Georgia
4. The Heart Of Life
5. I Don´t Need No Doctor
6. Gravity
7. I Don´t Trust Myself (With Loving You)
8. Belief
9. I´m Gonna Find Another You

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Novas

O novo disco da série de Bootlegs de Bob Dylan pode ser ouvido inteirinho em streaming no NPR.org. Tell Tale Signs será lançado no dia 7 de outubro e reúne raridades e takes alternativos de canções das gravações do Oh Mercy (1989) ao Modern Times (2006). A demo de Dignity, só no piano, é maravilhosa.

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O Oasis também resolveu liberar seu novo disco pra audição na internet, mais precisamente no MySpace da banda. Um pouco tarde, já que Dig Out Your Soul já tá na rede faz um tempo. Nas lojas, ele chega um dia antes do de Bob Dylan. Não é um Definately Maybe, mas é bom, muito bom…

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